SEMCULT - Manifestações Culturais

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS

QUILOMBOLAS

A comunidade de Alto Iguape obteve a Certidão de Autodefinição como Remanescente de Quilombo pela Fundação Palmares, em 2012. Nos trinta e seis hectares de terra demarcados à comunidade vivem cerca de quatorze famílias, que dependem da agricultura para sua subsistência. Os principais produtos cultivados na região são: banana, palmito, limão, laranja, aipim, feijão e guandu. Também produzem bolos, pães, licor e farinha. A comercialização dos produtos na feira municipal garante a renda das famílias.

Localizada em uma região de natureza exuberante, em meio a mata Atlântica e aos “Mares de Morros” capixabas, na área pertencente à comunidade existem quatro nascentes de rios, um mirante em que é possível vislumbrar parte da cidade e de seu litoral e praticar o voo livre, grutas e cavernas com resquícios arqueológicos.  

A utilização do “quitungo” para a fabricação da farinha, a prática do congo, jongo e da capoeira, assim como, a manutenção de construções antigas de estuque, são formas de essa comunidade preservar suas tradições quilombolas.

Mas, como surgiu uma comunidade quilombola no município de Guarapari? Para entendermos essa história é preciso recuar no passado e conhecer a série de levantes escravos ocorridos, na então, Vila de Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim, no século XIX.
 

Os levantes escravos e a República Negra de Guarapari

Conforme documentação oficial encontrada no Arquivo Histórico Ultramarino (Portugal), edificou-se na localidade de Guaraparim, termo de Vila Velha, entre 1588 a 1599, dois engenhos destinados à produção e comercialização de açúcar, São Tiago e Nossa Senhora da Paz, cujo proprietário era o negociante castelhano Marcos Fernandes Monsanto. Com a separação das coroas portuguesa e espanhola, Monsanto e sua mulher retornaram à Espanha, em 1641, em decorrência da lealdade jurada ao rei espanhol. Seus bens foram confiscados pelo donatário da capitania com a aprovação do rei D. Afonso VI.

Após um período, os bens retornaram aos familiares de Monsanto, sendo passado através das gerações, até que em 1732, parte daqueles engenhos, as chamadas Fazenda do Campo e do Engenho Velho, passaram ao Arcediago Antônio de Siqueira Quental. O eclesiástico fora reconhecido por seus pares como um homem discreto e virtuoso, que dedicara a vida à obra religiosa. A sua custa, garantira a subsistência da matriz Nossa Senhora da Conceição e da capela de Nossa Senhora do Rosário, na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim, diante da pobreza dos habitantes daquele lugar. Em suas fazendas, Quental possuía mais de duzentos escravos, porém, tratava-os com amor e caridade e estimulava o matrimônio entre eles, o que contribuiu para a formação de famílias escravas.

Ao falecer, em 1769, legou seus bens, incluindo as fazendas e as escravarias ao Sagrado Coração de Jesus. Entretanto, nesse mesmo ano, uma lei régia proibia a doação das heranças para a Igreja Católica e, por isso, as fazendas foram novamente confiscadas pela Coroa portuguesa, iniciando um longo processo testamentário que terminou em 1805; quando os sobrinhos e herdeiros do padre, em Portugal, ganharam o direito à herança.

Os herdeiros nomearam um novo administrador para as fazendas, o padre Domingos José da Silva e Sá, que chegou na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim, em 1811. A sua chegada marca o início de uma série de levantes escravos. Isso porque, o padre Domingos, deparou-se com uma escravaria com cerca de quatrocentos cativos, em que 96% pertenciam a um núcleo familiar, praticavam a agricultura de subsistência e o contrabando de madeiras junto a fazendeiros locais. Aos olhos de Domingos a situação era absurda, pois, os escravos viviam como se livres fossem. Ao tentar impor o que ele considerava como ordem, nas fazendas e na escravaria, o padre interferira nos “espaços de liberdade” conquistados pelos cativos. Dessa forma, a revolta de parcela da escravaria aparece, sobretudo, como tentativa de manutenção da relativa autonomia gozada, ou seja, do modo como eles viviam.

A partir disso, desenrolou-se uma série de levantes escravos entre 1811 a 1814, quando então, quatro escravos pertencentes à fazenda do Campo assassinam o padre Domingos. Após o episódio, houve a mobilização das forças repressoras enviadas pelo então governador da capitania do Espírito Santo, Francisco Alberto Rubim, que se estenderam entre 1814 a 1817. As forças repressoras não foram capazes de submeter aquela escravaria, isso porque, conta o Príncipe Maximiliano na sua passagem pela vila, em 1816, que os escravos “[...] tomaram a posse das fazendas, viviam livres sem trabalhar muito, caçavam na floresta” e coletavam produtos das matas.

Foi o Príncipe Maximiliano que se referiu ao lugar como uma República Negra. Devido ao fato de que após a série de levantes, o assassinato do padre Domingos, a ineficiência das forças repressoras, os escravos se apossaram das fazendas e passaram a viver da exploração dos recursos que elas ofereciam. Assim, o uso do termo república, não se refere ao emprego utilizado atualmente, mas sim, ao fato de os escravos habitarem as terras sem prestar obediência a nenhuma autoridade externa e viveram de forma coletiva.

É importante mencionar que a série de levantes escravos ocorridos na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Guaraparim constitui exemplo raro desse tipo de resistência em terras capixabas, para o período entre 1781 a 1821, conforme a documentação analisada. Além do fato de existir ainda hoje na região uma comunidade que se autodefine como remanescente de quilombo.

 

CONGO

 

O congo, ritmo musical típico do folclore capixaba, é uma manifestação artística e cultural que envolve a música, a dança, a religiosidade e representa o sincretismo e a diversidade étnica do Espírito Santo. As bandas de congo capixabas tem origem indígena, segundo relato do Cacique Sizenandro, mestre da Banda de Congo de Caieras Velha, em Aracruz, o congo já era tocado antes da chegada de Cabral ao Brasil (LINS, 2016).

Outros relatos de pessoas que estiveram em terras capixabas, no século XIX, como viajantes, padres e até o imperador Dom Pedro II, confirmam as raízes indígenas do congo. O viajante francês Auguste-François Biard, ao participar de cerimônia realizada numa pequena aldeia na região de Aracruz, relatou que:

“Os homens, sentados, tinham entre as pernas seu tambor primitivo; pequeno tronco de árvore oco recoberto somente numa extremidade com um pedaço de couro de boi; outros esfregavam com um pequeno bastão um instrumento feito de pedaços de bambu denteado de cima até em baixo. Ao som dessa algazarra as mulheres mais velhas dançavam [...]”. (BIARD, 2002).

No relato, o viajante faz referência aos principais instrumentos das bandas de congo, os tambores e os reco-recos que, no Espírito Santo, são chamados de casacas. Além deles, utilizam também chocalho, cuíca, pandeiro, triângulo, caixa-clara, bombo e apito.

As bandas de congo no Espírito Santo tem forte relação com a devoção e a festa de São Benedito. É curioso notar que, oficialmente, a Igreja Católica celebra o dia de São Benedito em 4 de abril. Contudo, em terras capixabas as homenagens ao santo foram transferidas para 26 de dezembro. Isso porque, os senhores, iam até a sede da cidade para celebrar o Natal e junto traziam seus escravos e bugres (indígenas). Eles aproveitavam a ocasião para celebrar também a festa de São Benedito (LINS, 2002).

A devoção a São Benedito era algo partilhado entre indígenas e africanos escravizados, segundo uma lenda local, a ligação dessa devoção com as bandas de congo está relacionada ao naufrágio do navio negreiro Palermo, no litoral de Nova Almeida, na Serra. Os africanos teriam conseguido se salvar agarrados ao mastro do navio, orando a São Benedito, esta seria a explicação para a fincada do mastro de São Benedito. Além da devoção, o ritmo musical e a dança foram importantes contribuições dos africanos.   

Guarapari, como expressão da diversidade étnica e cultural capixaba, tem no congo uma manifestação artística tradicional. Atualmente, o congo local tem sido representado pelas bandas de congo de Perocão, Rio Claro, Mucambo e do Mestre Domingos. Mais do que um estilo musical, o congo representa para as comunidades tradicionais de Guarapari a preservação de uma história.

De acordo com Manoel Lima da Vitória – o Mestre Duka, da banda de congo da comunidade Mucambo, “ser mestre de banda de congo representa uma grande responsabilidade, pois se deve preservar a tradição e o conhecimento que lhe foram passados”. Para ele, “a responsabilidade, atualmente, é ainda maior, diante do desinteresse das novas gerações sobre o congo. É preciso incentivar os jovens a conhecer e se encantar com o congo e, para isso, é preciso contato, através de apresentações e oficinas”. Esse não foi um problema enfrentado por Mestre Duka, que começou a seguir os passos do saudoso Mestre Paulino Simão Gomes ainda na infância e, desde 2010, esteve à frente da banda de congo de Rio Claro e, atualmente, de Mucambo. Segundo ele, “o congo é algo gratificante, que traz felicidade e satisfação, ao perceber a alegria no rosto das pessoas”. O maior legado que traz de seu mestre é o amor e a preocupação em preservar essa tradição que marca a história de sua comunidade.

Outro expoente tem sido o mestre Domingos Teixeira Marques, do município da Serra, mas que escolheu Guarapari para desenvolver projetos com bandas de congo e de produção de instrumentos musicais. Considerado como um dos maiores mestres do artesanato popular capixaba, iniciou sua atividade como artesão aos oito anos de idade, confeccionando instrumentos para os grupos de Jongo e Folia de Reis, manifestações populares do município de São Mateus, onde morou dos três aos quatorze anos. Com dezesseis anos, ao retornar para o município da Serra, ingressou na banda do Congo Folclórico de São Benedito, dirigida pelo saudoso Mestre Antônio Rosa. Membro da Associação das Bandas de Congo da Serra, Mestre Domingos se tornou um dos mestres responsáveis pela instrução e confecção de instrumentos típicos, como casacas, tambores e cuícas; e, pelo resgate das técnicas seculares de confecção desses instrumentos.

 

BANDA MUNICIPAL

Fundada no ano de 1978, atuava na categoria de Fanfarra Simples. No ano de 1982, passou à categoria Banda Marcial, na qual ficou até o ano de 2000, passando em seguida para categoria musical, em 24 de novembro de 2018, ficou em 4º lugar na categoria Banda Musical de Marcha Sênior no Campeonato Nacional de Fanfarras e Bandas em RECIFEPE. Localizada no bairro Praia do Morro em Guarapari, essa corporação vem atuando desde 2009 sob comando do Maestro Evângelo Vasconcelos Nascimento e o Maestro Willy Belfi da Costa, junto com a Professora de Balizas Ana Lúcia. É motivo de orgulho para a Escola a qual representam com muita dedicação. Tendo como entidade mantenedora a Prefeitura Municipal de Guarapari. A Corporação Musical “Costa e Silva” tem um grande diferencial que é o trabalho em grupo nela realizado. Nesta corporação todos trabalham para engrandecer cada vez mais o nome da educação, bem como o da cultura guarapariense.

Atualmente conta com cerca de 64 componentes, tendo como objetivo principal a educação de seus alunos, para que através da música possam assimilar o valor do trabalho, aprimorando-se cada vez mais para elevar o nome da escola e da comunidade da Praia do Morro, a qual tão orgulhosamente pertence. 

 

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